Lollapalooza Brasil 2017: Duran Duran, Two Door Cinema Club e The Strokes são os destaques do domingo

Saiba mais do que aconteceu no segundo dia do Lollapalooza Brasil 2017

Mais de 40 atrações passaram pelos palcos do Lollapalooza Brasil no último fim de semana, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O relato completo do festival em todos os detalhes de infraestrutura, público e logística podem ser encontrados neste artigo. Ontem falamos sobre os shows de sábado. Hoje vamos destacar, exclusivamente, os shows assistidos no domingo, onde Duran Duran, Two Door Cinema Club e The Strokes foram os melhores do dia.

Engana-se quem diz que tocar muito cedo em um festival como o Lollapalooza Brasil pode ser desfavorável. O Catfish and The Bottleman conseguiu reunir uma boa base de curiosos em seu som, no “anfiteatro” do Onix, desde o começo de sua apresentação. Algo bem impressionante para um show às 14h, em pleno domingo de sol. Muitos ainda chegavam ao festival, depois de uma maratona de shows no dia anterior e de cara já encontraram um show com bastante entrega do seu vocalista Van McCan, impressionado com a recepção brasileira. Engana-se também quem achava que não existia fãs da banda por aqui. Era possível ver muitas camisetas do Catfish coladas na grade e uma plateia agitada cantou em uníssono a radiofônica  “7”, de seu ultimo disco. Rolou até uma empolgação exagerada de Van, que chegou a machucar sua mão na guitarra.  É a formula que não tem como dar errado: a energia de uma jovem banda com seu rock britânico de arena e um público empolgadíssimo com o festival.

Jimmy Eat World

Em uma tarde ensolarada o Jimmy Eat World recebeu um público de idades variadas, predominando a turma dos 20 e a turma dos 40, o que mostra a mistura do público inerente ao festival. A banda capitaneada por Jim Adkins já começou com um petardo, “Bleed American”, do seu disco de maior sucesso, de 2001. Foi uma sucessão de melodia, riffs e baladas que provam porque o JEW tem importância na história do emo. O final “Sweetness” foi de chorar. Aqueceu os corações mais nostálgicos e pôs a meninada pra cantar.

Duran Duran

Algumas bandas fazem músicas que lembram o dia. Outras são inerentemente notívagas. O Duran Duran apesar de já ter passado por diferentes sonoridades, sempre teve o DNA de música de noite e rádio FM. Seja em suas baladas que embalam a solidão da madrugada ou as dançantes que animam aquele rolê de carro pela cidade. É a primeira coisa que me veio à cabeça ao chegar no palco Ônix, posicionado contra o sol da tarde. Como esta dinâmica iria funcionar?

Logo entra o Duran Duran em seus trajes exóticos e multi-coloridos. Destaque para o terno de paetê de Nick Rhodes brilhando no sol quente. A lendária banda oitentista abre com “The Wild Boys”, única gravação de estúdio no álbum ao vivo, Arena. Segue com o hit supremo “Hungry like the Wolf” que bota a plateia para dançar. Sem exagero, apenas no meu campo vejo um público heterogêneo, estilos diferentes, meio e filosofia de vida, provavelmente diferentes, e idades certamente diferente, entre 15 e 60 anos. É sobre esta união que um grande concerto de rock (rock?) promove.

Então surge no telão imagens de 007 – Na Mira dos Assassinos com o tema de James Bond, “A View to Kill”, entoado por Simon Le Bon… o público segue dançando como se não houvesse amanhã. Como o palco Onix tem a melhor acústica, disparada, deste festival. Se eu fosse de uma banda famosa, exigiria tocar neste palco. Olho ao redor, com um sorriso maroto no canto da boca, enquanto percebo que a maioria dos presentes não sabe cantar as letras do começo ao fim, mas cantavam “dance into the fire”, enquanto rebolam e levantam os braços com a certeza que ouviram esta música em algum momento de suas vidas. A maioria ali nasceu depois destas faixas terem sido lançadas.

O público mais velho, como disse, também está presente, mesmo que seja minoria no Lollapalooza. E então veio a primeira música nova da banda “Last Night in the City”, que mostra a habilidade do Duran Duran em se atualizar, sem perder a pegada do funk (com muita ajuda de Nile Rodgers ao longo da carreira), junto com os sintetizadores timbrados para o presente e beats do eletrônico. Os vocais feitos originalmente por Kiesza ficavam por conta de duas backing vocals (uma delas era mais dueto com Simon, do que backing vocal na verdade).

Teve chuva de papel picado e bola pra galera brincar em “Rio”. No caminhão de hits do Duran Duran, o ponto baixo ficou por conta da favorita “Ordinary World“. A emocionante faixa que fala sobre um momento difícil na vida e a necessidade de mudança teve a presença da Céu no palco. Infelizmente, a brasileira errou o tom e até notas da canção. Simon tentou acompanhá-la, mas não rolou. No finalzinho da música, eles se entenderam um pouco melhor. Esta canção é tão forte que mesmo com o deslize, causou emoção. No fim a festa foi completa e, certamente, foi um dos pontos altos do festival.

Sabe aquele show que você sai falando:

– Porra meu, este show pagou o ingresso!

Então, foi assim.

Two Door Cinema Club

Two Door Cinema Club era um dos grandes nomes que se apresentaram no domingo no festival, com músicas animadas e divertidas pra fazer a festa de qualquer um, o show era muito aguardado. A banda entrou no palco Skol com vinte minutos de atraso por alguns problemas de iluminação tocando uma das icônicas músicas de seu primeiro disco,“Cigarettes in the Theatre”. O público estava além de eufórico, cantando pontualmente todas as músicas da banda, que recentemente lançou o morno Gameshow, que teve apenas quatro músicas no setlist da banda. No final das contas, foi uma apresentação um tanto quanto decepcionante, pois o esperado era energia e alegria com hits que embalaram a pré-adolescência de muitos que estavam presentes. Porém a atitude do vocalista Alex Trimble foi um tanto quanto condescendente, com o mesmo assumindo a pose de rockstar irritável, o que não lhe cabe. No mais, um show que contemplou os grandes sucessos da banda e agradou parcialmente a multidão que aguardava o The Strokes.

The Weeknd

É uma responsabilidade muito grande ser o último a se apresentar no palco Onix, queridinho do público. Se aproveitando de seu atual estrelato, letras sensuais e músicas que arrastam uma legião de fãs, o The Weeknd cantou dezenove músicas de sua recente e rica carreira. O artista foi extremamente prejudicado pelo horário de sua apresentação, que acabava exatamente cinco minutos antes do principal headliner do dia, The Strokes, entrar no palco. Mesmo assim, o canadense comandou uma plateia extensa, que cantou e dançou animadamente hits como “Starboy”, “The Hills”, “I Feel It Coming” e “Can’t Feel My Face”. Algo a se notar era a iluminação, muito clara, que muitas vezes fazia com que perdêssemos Abel de vista em um palco extenso, algo que não ocorreu com o duo Jack Ü que se apresentou no mesmo palco no ano passado, utilizando uma iluminação mais escura e animações. Um pequeno erro de produção que não diminuiu a experiência de uma apresentação consistente e cool, um jeito perfeito de terminar o domingo. A dobradinha “Earned It” e “Wicked Games” no meio do show ajudou a criar a atmosfera sensual na qual as músicas de The Weeknd estão inseridas, e que o mesmo consegue transmitir ao vivo.

The Strokes

O headliner do domingo era um dos shows mais aguardados do festival para muitos dos presentes. The Strokes entrou juntamente com a chuva para desfilar um caminhão de hits de seus discos mais valorizados: Is This It (9 músicas ao todo!) e Room On Fire. O quinteto novaiorquino ainda tocou mais duas do First Impressions of Earth, uma do Comedown Machine e duas do último EP, incluindo a solicitada “Drag Queen”.

Vamos voltar ao fato que o The Strokes tocou 9 músicas de seu álbum de maior sucesso. É nesta hora que você pode ter a certeza que eles não estão nem aí pra paçoca. Vivemos um tempo onde bandas vendem turnês inteiras tocando o disco de maior sucesso. Turnês caríssimas e recicladas com o mote “Joãozinho Band toca o álbum Estripulias de Fogo na íntegra”. E aí tem choradeira na internet, tem ranger de dentes nas redes sociais. “OMG Joãozinho vai tocar Estripulias na íntegra, preciso comprar minha passagem pra Barcelona. EU A-M-O ESTE DISCO.”

Strokes tocou o foda-se pra isso.

Chegaram na América do Sul e resolveram tocar 9 músicas do Is This It em pleno 2017, sem alarde, sem frescura.

Aliás, sem frescura é o lema da banda. É fácil notar pelo palco sóbrio, sem recursos avançados de vídeo, sem papel picado, sem fogo, sem demagogia com a plateia ou pachequice com o Brasil.

Com um Julian segurando bem os vocais, e um pouco mais comunicativo que o usual, a performance dividiu opiniões. Para alguns, as inserções de Julian foram apáticas, quando não foram de mal gosto: como no momento mais constrangedor em que falou que teria prostitutas no camarim e depois emenda, “garotas brasileiras wooo hooo”. Ou quando quis saber o que Fabrizio Moretti tinha dito para os brasileiros (foi um breve “e aí minha gente”).

Isso aí é The Strokes, minha gente. O quinteto estava bem neste domingo, sorridentes e relaxados em sua própria maneira. Você não irá tirar nada além disso e se não gostou da banda, talvez seja a hora de abandoná-la de vez. Por aqui, o que vimos foi um show muito bem executado, que soube privilegiar grandes músicas. Já disse que poderia ter sido vendida como outra turnê inclusive, bem mais cara.

Agora, não é porque tocou Is This It quase na íntegra que o repertório foi perfeito. Têm falhas de extensão. Strokes vem tão pouco à América do Sul, então poderia ter se esforçado um pouco mais e fechado o setlist com 20 canções, como fez no Governors Ball. Faltaram duas músicas do Angles e YOLO para fechar a conta. No mais, foi uma porrada atrás da outra.

É importante entender que Strokes não é banda de pegar bandeira do Brasil (apesar de ter rolado em 2011), de puxar “olé olé”, de avisar o que tá fazendo ou programar fogos de artifício e chuvas de papel picado. Nunca foi e nunca será.

As reclamações que caem sobre Strokes são parecidas com as reclamações que surgem após um show do Oasis. É sempre a mesma história. Mas, isso é assunto para outra pauta, sobre bandas que não se enquadram no padrão de roqueirão carismático que muita gente espera. Paciência. Detalhe: “80s Comedown Machine” foi tocada ao vivo pela segunda vez na história da banda, palavras do próprio Julian.

Com a colaboração de Flavio Testa e Matheus Bonetti.

(Originalmente publicado em março de 2017. Acesso: https://www.505indie.com.br/acervo/lollapalooza-brasil-2017-duran-duran-two-door-cinema-club-e-the-strokes-sao-os-destaques-do-domingo/)

Em estilos distintos Alabama Shakes, Noel Gallagher e Jack Ü garantem o melhor dia do Lollapalooza em 2016

Balanço do segundo dia do Lollapalooza 2016

E vamos ao último dia de Lollapalooza, os pés combalidos do dia anterior foram descansados, e estavam prontos para o último dia de festival. A bateria de energia já não começa no 100%. O que nos faz pensar que não tem como fazer 3 dias de Lollapalooza em Interlagos. Dois é o limite, para o quanto ele exige fisicamente, dois dias de Lollapalooza, equivalem a quatro dias de Primavera Sound. Crazy bat shit. Mas, vamos lá, até porque o domingo foi o dia dos shows mais legais do festival!

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Os brasileiros: Versalle e Karol Conká

O segundo dia no festival começou um pouco mais cedo, por volta de 13h30, e ainda foi possível assistir um pouco dos brasileiros da banda Versalle.

Foi uma grata surpresa perceber que a banda de Rondônia é realmente tudo aquilo que parece no CD. Surge não só o finalista do SuperStar, mas uma proposta relevante pra cena rock nacional.

Conseguimos ainda pegar o final da Karol Conká causando um tombamento no palco do Perry. O primeiro show lotado do domingo estava acontecendo antes das 14 horas, não cabia mais ninguém no espaço para 10 mil pessoas. Conká provou em um horário pouco favorável, que se você tiver as músicas certas, não importa o horário, viu caro Lobão (que reclamou em 2012 dos horários dos brasileiros).

A crítica para Conká é que as músicas dela com essa turma do eletrônico fica muito longe da versão em estúdio, “Tombei” ao vivo foi uma singela lembrança dos beats e dos graves que essa faixa é de verdade, ela foi carregada com o coro do público, mas a potência da faixa ficou longe do que ela é.

Esforçados, como muita entrega e ajuda percussiva brasileira, Walk the Moon faz um show acima do esperado

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O primeiro show que assistimos no domingo foi o do Walk the Moon, mais uma das bandas pop rock dançante que tem aos montes por aí. Conhecendo apenas duas músicas, estava esperando o Walk the Moon mostrar a que veio. E fiquei esperando. Não que a banda seja ruim, mas passou despercebida diante dos artistas que se apresentaram no domingo. O combo vocalista bonitinho + um único hit explosivo + tambores já se tornou cansativo. Quando o Imagine Dragons se apresentou no Lollapalooza em 2014 já era cansativo, mas vende, então tivemos a apresentação do Walk the Moon. Não posso dizer que os rapazes não se esforçaram, porque conseguiram colocar parte do público que estava no Onix para dançar (a parte que estava na grade esperando o Jack Ü, além de muitas adolescentes histéricas) às 14:30. Os pontos altos do show foram a Associação Meninos do Morumbi sendo convidada ao palco para participar da apresentação da música “Work This Body” e o final, quando o hit “Shut Up And Dance” foi executado. De fato, nessa hora, vimos muitas mãos pro ar. No mais, a banda não surpreendeu, mas para quem curte um popzinho adolescente, tá valendo.

Alabama Shakes: Emoção e sublimação, uma banda pesada e afiada, com uma joia rara, daquelas que aparecem só de vez em quando na música, chamada Brittany Howard

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Na hora da apresentação do Alabama Shakes no longínquo palco Onix, uma garoazinha chata começou a cair, mas não diminuiu em nada o espírito de quem estava ali para a ver a banda. O grupo entrou no palco e todo mundo foi ao delírio, em um misto de ansiedade e excitação, e quando Brittany Howard tocou as primeiras notas de “Future People” e deixou sua voz sair… É até difícil descrever o que aconteceu.

A garoa parou, as nuvens se dissiparam e um sol maravilhoso inundou todos os presentes, parecia até coisa de filme de romance, e os amantes daquela tarde eram o Alabama Shakes e o público. Eu nunca vi nada parecido com o que aconteceu durante a uma hora de apresentação da banda, que parecia hipnotizar e falar exclusivamente com cada pessoa da plateia.

O carisma imenso de Brittany e sua demonstração clara de paixão pela música tornaram a experiência ainda mais única. O blues e o soul do Alabama Shakes se encaixaram perfeitamente com o finalzinho da tarde, lavando a alma de todo mundo que recebeu a banda de braços abertos. A segunda apresentação do grupo no festival foi marcada por um setlist bem dividido entre os dois álbuns de estúdio, sendo encerrada pelos dois grandes hits dos álbuns, “Don’t Wanna Fight” e “Gimme All Your Love”. O final perfeito para um show que nos mostra que não é preciso mil e uma peripécias para cativar, com apenas música de qualidade e simpatia, o Alabama Shakes enfeitiçou todos nós.

Com um ótimo primeiro disco solo nas costas e um segundo nem tanto, mais os sucessos do Oasis, Noel Gallagher entrega show com gosto de quero mais

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Noel Gallagher rearranjou algumas músicas do Oasis; “Champagne Supernova” foi de chorar. Que coisa mais sensacional. Noel fica mais solto no palco, sendo o único dono das atenções, claro, sempre com aquela postura chuvosa de Manchester. É impressionante notar como o primeiro disco dele colecionou canções verdadeiramente boas, “The Death of You and Me”, “AKA… What a Life!”, “If I Had a Gun…”, Everybody’s on the Run” e “Dream On”. Ele ainda dedicou “You Know You Can’t Go Back” aos fãs do Oasis, fez isqueiros se acenderem com “Wonderwall” em sua voz e encerrou emocionantemente com “Don’t Look Back in Anger”, ainda tocou, do Oasis, “Listen Up”, e para minha surpresa “Digsy’s Dinner”. Seria mais condizente que Noel fosse o headliner do domingo, acrescentando mais alguns Oasis no seu repertório, e que Florence ocupasse o lugar de Noel.

Jack Ü: um espetáculo de EDM

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Um pouco antes do final do show do Noel Gallagher, corremos apressadamente em direção ao palco Onix, onde o Jack Ü se apresentaria às 19:10. Enfiando os pés na lama até encontrar um lugar decente no local já apinhado, nos posicionamos e aguardamos os veteranos do festival, Skrillex e Diplo. O show começou com o hit “Take Ü There”, que o público cantou com fervor, berrando mais alto que o vocal de Kiesza. Com jogos de luzes, um painel que transmitia imagens de videoclipes, turnês e os símbolos do duo (os adoráveis Ü), fumaça, serpentina e fogos de artifício, a apresentação dos DJs fez tremer o chão do Autódromo de Interlagos. Sem grande competição (os shows que ocorriam simultaneamente eram do Jungle e do Emicida), Skrillex e Diplo colocaram todo mundo pra dançar, numa vibe de liberdade e animação.

Em apenas uma hora e quinze minutos de show, o Jack Ü metralhou uma quantidade gigantesca de hits, que foram de “Hello”, da Adele à outros sucessos da música eletrônica, como “Runaway” e “Get Low”.  O surpreendente do repertório foi a preocupação dos DJs em buscar conhecer o que está em alta no país, fazendo uma pesquisa que demonstrou ainda mais o carinho de ambos pelo Brasil (Skrillex já deveria ter dupla nacionalidade porque sempre dá um jeito de passar por aqui; e Diplo é altamente antenado com a cena musical popular brasileira, tendo feito, inclusive, um documentário sobre o funk carioca, chamado Favela On Blast). Durante vários momentos do show, o painel, ou ü.tv, estampava diversas imagens de São Paulo e o Jack Ü encaixou três músicas brasileiras em seu setlist, levando o público à loucura: “Baile de Favela”, do MC João, um remix feito por Omulu de “Nam Nam Não (Veja Só No Que Deu)”, do Wesley Safadão e “Tá Tranquilo, Tá Favorável”, que contou com a participação do MC Bin Laden, que tirou a camisa que nem ele fez no videoclipe que virou meme icônico.

A simpatia e a relação de Skrillex e Diplo os torna a dupla perfeita, cada um sabe o seu lugar. Enquanto um comanda o som e os drops, o outro é responsável por animar a galera e levantar com orgulho a bandeira do país. Skrillex é mais energético com certeza, saltando do painel e fazendo uns passos que só ele entende, mas Diplo também não ficou pra trás: Até convocou a galera para uns polichinelos, sendo seguido animadamente. O encerramento da apresentação ficou com o carro chefe do único álbum do duo, “Where Are Ü Now”, que conta com a participação de Justin Bieber, que já tinha sido enfiado no setlist com o hit “Sorry”.

O show fez todo mundo esquecer as dores nos pés, as distâncias, o aperto e mostrou que a abertura que o Lollapalooza dá à música eletrônica é necessária, uma válvula de escape para qualquer um que queira simplesmente dançar. O Jack Ü tinha muito o que provar já que estava no posto que Calvin Harris ocupou em 2015, e não decepcionou, colocando as tremas no Üs e mostrando o porquê são os grandes queridinhos da música eletrônica atual.

Florence and the Machine: sim, mas não como Headliner

Falta muito ainda pra Florence and the Machine ocupar o espaço de destaque que ocupou. Falta repertório, falta presença, falta relevância… E olha que posso me considerar fã do trabalho da banda. Acompanho desde o primeiro álbum e sempre achei Florence uma figura muito interessante. Mas aí na hora do vamos ver, do grande show de encerramento, faltou sal. Também tive impressão de que o som estava muito baixo. Ouvia tranquilamente as pessoas ao meu lado cantando muito mais do que ouvia a voz vinda do show. Mas talvez isso também seja impressão após a porrada sonora que foi o Jack Ü. Só sei que antes do final do show, lá fui eu conferir o bem mais animado show do Planet Hemp, que é coisa nossa, mas que sabe comandar um palco muito melhor do que a Florence. Fica o apelo pra que o headliner do encerramento ano que vem seja melhor escolhido. Olha o Radiohead aí, Lolla!

Com a colaboração de Carol Munhoz e Flavio Testa. Fotos: Amanda Marques e Flavio Testa.

(Originalmente publicado em março de 2016. Acesso: https://www.505indie.com.br/festivals/reviews-festivals/em-estilos-distintos-alabama-shakes-noel-gallagher-e-jack-u-garantem-o-melhor-dia-do-festival-em-2016/)

10 curiosidades sobre Melanie Martinez

Conheça um pouco mais sobre a artista Melanie Martinez

Melanie Martinez é uma das grandes representantes do pop no Lollapalooza 2017. Conhecida por seu visual extravagante e infantil, Melanie lançou seu primeiro álbum, Cry Baby, em 2015. Com músicas que abordam temas como depressão, abuso, amor, problemas familiares e decepções, utilizando a infantilidade como plano de fundo, a artista ganhou popularidade entre os adolescentes e jovens adultos.

Cry Baby é um disco enxuto e criativo, que conta a história da personagem de mesmo nome em 13 faixas, que tem uma sonoridade particular principalmente pelos elementos escolhidos por Melanie: barulho de bolhas de sabão, brinquedos antigos, sinos, relógios, canções de ninar, nos colocam na atmosfera atraente e sombria de Cry Baby. Com apenas 21 anos, Melanie Martinez vem ao Brasil com a promessa de um show cativante. Abaixo selecionamos algumas curiosidades sobre essa nova figura excêntrica do pop.

1- A alcunha Cry Baby surgiu do fato de Melanie Martinez ser muito sensível e emotiva quando era menor, o que fazia com que as crianças a chamassem de “chorona”. A artista afirma que resolveu transformar essa palavra que a atormentou tanto na infância em algo produtivo, e assim surgiu Cry Baby, personagem principal do disco da artista.

2- A maior marca da artista (juntamente com seus dentes separados) é o cabelo pintado de duas cores diferentes. Melanie afirma que teve vontade de colorir as madeixas pela primeira vez ao assistir 101 Dálmatas com sua mãe e observar o look de Cruella de Vil. Martinez conta que foi para a casa de uma amiga para pintar, e nenhuma delas sabia como fazer isso corretamente, então a garota ficou com tinta roxa espalhada aleatoriamente pelos cabelos.

3- Segundo Melanie, a primeira música inspirada por sons de brinquedos foi “Dollhouse”, que descreve a família de Cry Baby e as pessoas ao redor dela. Até este momento, a artista não gostava de escrita conjunta, pois se dizia incompreendida. “Dollhouse” conta com a participação de Jeremy Dussolliet e Tim Sommers do Kinetics & One Love na composição, e Melanie afirma que compor com eles “foi bom para caramba”. Eles experimentavam sons de brinquedos durante horas e assistiam filmes do Tim Burton durante as sessões de composição.

4- “Alphabet Boy” é a música do disco que fala sobre o término de namoro de Melanie, que queria que esse fosse o nome da canção pois seu ex fazia faculdade de música na época e vivia tentando “ensinar” a artista a compor, como se ela estivesse fazendo isso de maneira errada. Esse ex deve estar se revirando em algum barzinho cult por aí. Martinez e Jeremy (Dussolliet) então trabalharam para que a música seguisse as letras do alfabeto em forma de aliteração, como você pode conferir no trecho: “Always aiming paper airplanes at me when you’re around / You build me up like building blocks just so you can break me down / You can crush my candy cane but you’ll never catch me cry / If you dangle that diploma and I dead you don’t be surprised.”

5- Melanie Martinez participou da terceira temporada do The Voice, em 2012, onde fez uma audição tocando “Toxic”, da Britney Spears, com um violão e um pandeiro. Três dos quatro jurados viraram a cadeira para ela, e ela acabou integrando o time de Adam Levine. A artista foi eliminada no Top 6, e a vencedora da competição foi Cassadee Pope (que fez algum sucesso com sua banda Hey Monday lá em 2009, quando todo mundo era emo). O visual interessante de Melanie e as músicas escolhidas para a artista durante a competição mostraram que a mesma tinha competência de traçar uma carreira consistente no pop.

6- O segundo disco de Melanie Martinez (ainda sem título) continuará a contar a história de Cry Baby, focando em lugares e personagens diferentes, e tem previsão de lançamento para dezembro deste ano. A artista inclusive comentou em entrevista que chorou quando Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos e uma das músicas do novo disco irá falar sobre isso.

Declaração que Martinez fez via Twitter após a eleição de Trump: “Eu sinto muito pela minha família (a artista é filha de porto riquenhos e dominicanos), meus amigos e todas as pessoas de cor, mulheres, LGBTQ e deficientes. Essa notícia é devastadora e eu não sei o que dizer além de prometer dedicar minha vida a escrever músicas e fazer arte que irá ajudar todos vocês a se sentirem seguros e orgulhosos de quem são mesmo que o país que vocês vivem não os apoiem. Eu sempre estarei aqui para ajudar vocês a entenderem que são importantes. Vocês são lindos. Vocês merecem mais do que isso. Eu sinto muito.”

7- Melanie lançou no final do ano passado seu primeiro perfume, batizado de “Cry Baby Perfume Milk”. A descrição do produto é a seguinte: “Doce e nostálgico, “Cry Baby Perfume Milk” captura o espírito da garota que se faz de inocente, mas esconde algo de irreverente. A primeira impressão é a cumplicidade de notas de frutas escuras, enquanto leite de morango e o cheiro de batom se misturam para o contraste com as frutas. O coração de “Cry Baby Perfume Milk” te convida a experimentar inocência obscura enquanto as memórias da infância de Melanie evocam um cheiro macio e nostálgico de loção de bebê. Feminina, travessa e orgulhosa, a base da fragrância é envolta em uma doce camada de caramelo queimado misturado com uma essência amadeirada.”

8- Os dois artistas visuais favoritos de Melanie são Mark Ryden e Nicoletta Ceccoli. Ambos abordam o imaginário infantil em suas obras, com contos de fadas e cores pastéis, além de mostrar um lado meio sombrio da infância. Nota-se que Melanie se inspira muito nos artistas no que diz respeito ao seu visual e a estética de seus videoclipes.

9- “Carousel”, faixa de Cry Baby, fez parte da divulgação da quarta temporada da série American Horror Story, Freakshow. A música foi utilizada durante o primeiro teaser da temporada e seu riff é a trilha da abertura da série. American Horror Story é a série favorita de Martinez, que enviou a música para a produção da FX quando soube que o tema da temporada seria circense. Segundo a artista, ela só soube que sua música seria usada dois dias antes da série estrear. Segundo a mesma, a cançãoa fala sobre como ela se sentiu em um relacionamento: “É sobre eu me apaixonando por alguém e ficando presa na mesma volta (do carrossel) e tentando agarrar ele e nunca conseguindo alcançá-lo.”

10- Melanie afirma que se não fosse cantora, gostaria de ser tatuadora. A artista possui 17 tatuagens em seu corpo, que são um reflexo de sua personalidade e estética, mostrando sempre temas infantis em tons pastéis, usando técnicas do estilo clássico americano de tatuagem. A primeira foi feita em 2014 e é em homenagem a “Carousel”, música que representa a grande guinada na carreira da artista.

(Originalmente publicado em março de 2017. Acesso: https://www.505indie.com.br/acervo/10-curiosidades-sobre-melanie-martinez/)

“Homem-Aranha no Aranhaverso” é inovador e eleva patamar dos filmes de heróis

Resenha crítica do filme “Homem-Aranha no Aranhaverso”

Sim, mais um filme do Homem-Aranha. O ‘amigo da vizinhança’ é um dos super-heróis com mais longas-metragens no currículo, totalizando sete com ‘Homem-Aranha no Aranhaverso’, o que prova a popularidade incontestável do cabeça de teia. É de se pensar que após tantos filmes (um em fase de produção), a história de origem e a fórmula de abordagem das histórias do herói já estejam um pouco desgastadas.

‘Homem-Aranha no Aranhaverso’ trabalha o herói a partir de uma nova perspectiva, trazendo a história de Miles Morales para as telonas pela primeira vez. No filme, Miles é um estudante que gosta de grafitar, incentivado por seu tio, Aaron. Após ser picado por uma aranha geneticamente modificada e interdimensional, Miles ganha poderes aracnídeos. O jovem se depara com Peter Parker, que, em uma tentativa de impedir que o Rei do Crime abra portais interdimensionais, acaba falecendo.

Cabe a Miles assumir a alcunha do Homem-Aranha, e continuar o legado de Peter. Porém, na tentativa de vislumbrar outras dimensões, o Rei do Crime acaba transportando acidentalmente diferentes super-heróis que utilizam o manto do Aranha. Juntos, os heróis precisam deter os planos de Wilson Fisk e voltar para casa.

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Da esquerda para direita, os Aranhas: Peni Parker (Terra-14512), Spider-Gwen (Terra-65), Presunto-Aranha (Terra-8311), Miles Morales (Terra-1610), Peter B. Parker (Terra-616) e Homem-Aranha Noir (Terra-90214) | Foto: Sony/Marvel

A parceria da Sony e da Marvel é genial. Trazendo uma animação inspirada nos quadrinhos, o filme é tecnicamente belíssimo, fluindo no “estilo Marvel”, com balões de fala, passagens de cenas com quadros e onomatopeias. A animação soube aproveitar muito bem os recursos gráficos dos universos de cada Aranha, misturando técnicas de anime, quadrinhos noir e cartoons.

Um dos principais pontos positivos do longa é a representatividade. Miles Morales é um adolescente negro do Brooklyn, com ascendência hispânica, que faz grafite e estuda em uma escola para prodígios. A complexidade do personagem, suas relações com a família, com um pai policial super protetor que odeia o Homem-Aranha, e um tio amoroso e misterioso; e sua dificuldade de conciliar a adolescência com o dever transformam Miles em um personagem extremamente humano e identificável.

Outro ponto alto do filme são os vilões, e suas motivações no filme. Apesar de Wilson Fisk, o Rei do Crime, ser o grande antagonista da trama, personagens icônicos como o Duende Verde, Doc Ock, Gatuno Escorpião fazem valer seu tempo na tela.

A versão com áudio original do longa conta com um elenco de peso: Shameik Moore (The Get Down), Hailee Steinfeld (Bravura Indômita), Liev Schreiber (Spotlight), Mahershala Ali (Moonlight), Nicolas Cage e Lily Tomlin (Grace and Frankie).

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Da esquerda para direita, elenco posa com seus respectivos personagens: John Mulaney (Presunto-Aranha), Liev Schreiber (Rei do Crime), Jake Johnson (Peter B. Parker), Shameik Moore (Miles Morales), Hailee Steinfeld (Spider-Gwen), Nicolas Cage (Homem-Aranha Noir) e Kimiko Glenn (Peni Parker) | Foto: Columbia/Sony

É importante ressaltar também que o filme fez uma homenagem emocionante ao criador do Homem-Aranha, Stan Lee, que faleceu há cerca de um mês.

‘Homem-Aranha no Aranhaverso’ foi feito para agradar fãs dos quadrinhos, e também conquistar novas gerações. Unindo cenas de ação, piadas no melhor estilo do cabeça de teia, e valores importantes, o filme é um dos melhores do gênero, mostrando que dar uma chance ao novo pode valer à pena.

P.S.: Fique para a cena pós-créditos!

FICHA TÉCNICA
Homem-Aranha no Aranhaverso – Spider-Man: Into the Spider-Verse
Data de lançamento: 10 de janeiro de 2019
Direção: Rodney Rothman, Peter Ramsay e Bob Persichetti
Duração: 2h
Sinopse: Miles Morales é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras variações do Homem-Aranha.

(Originalmente publicado em dezembro de 2018. Acesso: https://focaalternativa.com/2018/12/10/homem-aranha-no-aranhaverso-e-inovador-e-eleva-patamar-dos-filmes-de-herois/)

A energia envolvente de Mahmundi aquece Fortaleza

Crítica sobre o show de Mahmundi em Fortaleza

No último domingo (12/02/2017), a multi-instrumentista Mahmundi se apresentou em Fortaleza no histórico e impressionante Cine São Luiz. O São Luiz é um dos grandes representantes da Belle Époque no Ceará, e um dos mais bonitos teatros que já visitei. Com lustres importados, piso de mármore e uma plateia com capacidade para mais de mil pessoas, o monumento intimida e deixa uma expectativa mágica no ar.

O show da artista estava marcado para às 18h e começou pontualmente, com o público, que não passava de cem pessoas, espalhado pelas inúmeras cadeiras do teatro. Mahmundi entrou no palco já mudando completamente essa atmosfera solene e séria para um encontro de amigos, trazendo todos para perto de si e tocando diversas músicas no fosso da orquestra. A apresentação começou com um aquecimento de instrumentos e uma conversa boa por parte da artista, o que deixou os presentes encantados. De prosa fácil, Mahmundi criou um espaço confortável para contar suas histórias. Trazendo em seu repertório músicas de seu debut autointitulado, a artista emocionou e ao mesmo tempo colocou as pessoas para dançarem, dizendo que gostaria de fazer uma apresentação “tão quente quanto o mar que peguei mais cedo”. E fez.

Foto: Salvino Lobo/Secult/Divulgação

Mahmundi é uma daquelas artistas que funciona perfeitamente ao vivo, com uma voz charmosa e envolvente, que se casa perfeitamente com o jogo de luzes e com os instrumentos de apoio, criando uma vibe quase fantástica. Talvez a artista se enquadre mais na alcunha de contadora de histórias do que cantora, já que quando se apresenta, você consegue ver com muita clareza os elementos expostos, quase como numa pintura. Entre os sucessos “Hit”, “Azul” e “Meu Amor”, Mahmundi quebrava a atmosfera de magia com um papo tranquilo, soltando piadas e comentando sobre Fortaleza, cidade que se apresentou pela segunda vez (a primeira foi no intimista Mambembe, em 2014). Outro ponto alto do show foi “Sentimento”, música escrita pela artista para O Rappa (aqui, Mahmundi brinca: “quem sabe um dia eu recebo esse cachê pra voltar mais rápido pra Fortaleza, hein”).

A artista encerrou a apresentação com “Calor do Amor”, que contou com a participação de Jaloo, que havia se apresentado na cidade no dia anterior. O artista assistiu a performance da amiga da plateia mesmo, conversando com algumas pessoas e tietando. A dupla possui uma química incrível, canta e se diverte como dois velhos colegas se encontrando casualmente, e o bonito foi fazer parte daquilo durante a música. Nada melhor do que uma performance incrível para começar a semana de alma lavada e espírito renovado.

(Originalmente publicado em fevereiro de 2017. Acesso: https://www.505indie.com.br/acervo/a-energia-envolvente-de-mahmundi-aquece-fortaleza/)

Kahtleen Hanna, nós seguimos juntas

Conheça um pouco mais sobre Kathleen Hanna, um dos ícones do movimento RIOT GRRRL

Kahtleen Hanna conheceu o feminismo aos nove anos de idade, quando sua mãe a levou em uma passeata onde Gloria Steinem discursou. Trabalhou com fotografia, criando fanzines, realizou trabalho voluntário junto a mulheres que sofreram violência doméstica, e é um dos maiores nomes do movimento RIOT GRRRL.

O movimento RIOT GRRRL surgiu no início dos anos 1990, e incentivava mulheres através da música e arte a expressarem suas opiniões e buscarem seus direitos. Esse gênero musical surgiu como resposta às atitudes machistas punks. Kahtleen Hanna foi uma das pioneiras do movimento, com sua banda Bikini Kill, e era conhecida em seus shows por aparecer com slogans polêmicos escritos em seu corpo (ela escrevia palavras como “vagabunda” e “estupro” em si mesma, como reação ao machismo no mundo da música). As apresentações do Bikini Kill eram voltadas para as mulheres, e as artistas pediam que os homens fossem para trás em seus shows, criando um espaço seguro para que as mulheres aproveitassem a música de forma plena. A música do Bikini Kill é raivosa e é um retrato perfeito da ânsia de liberdade da mulher moderna.

Kahtleen ainda fez parte do Le Tigre, e lançou um disco sob o pseudônimo de Julie Ruin em 1997. Caso você ainda não tenha se convencido de que essa mulher era FODA, aqui vai mais uma historinha: Kahtleen era muito amiga da galera do Nirvana, e em uma festa na casa de Kurt Cobain, pixou a seguinte frase “Kurt smells like teen spirit, man”, o que viria a inspirar um dos maiores hits atemporais do Nirvana que vocês respeitam. Então sim, existem mulheres incríveis em todos os lugares. Inclusive na música. Inclusive na arte. Inclusive influenciando e trabalhando junto com os homens que são tão enaltecidos. Vamos pegar esse dia pra falar (ainda mais) de mulheres! Você pode ser e fazer o que quiser. Todas nós podemos.

Confira abaixo The Punk Singer (2013), documentário que fala sobre a trajetória de Kahtleen:

(Originalmente publicado em março de 2017. Acesso em: https://www.505indie.com.br/acervo/kahtleen-hanna-nos-seguimos-juntas/)

Lollapalooza Brasil 2017: BaianaSystem, Cage the Elephant e The xx são os destaques de sábado

Resumo do que aconteceu no primeiro dia do Festival Lollapalooza Brasil 2017

Mais de 40 atrações passaram pelos palcos do Lollapalooza Brasil no último fim de semana, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O relato completo do festival em todos os detalhes de infraestrutura, público e logística podem ser encontrados neste artigo. Hoje, vamos destacar, exclusivamente, os shows assistidos no sábado, onde BaianaSystem, Cage the Elephant e The xx foram os melhores do dia.

BaianaSystem

“Antropofagia baiana”. Essas palavras que foram repetidas incansavelmente durante o show do BaianaSystem sintetizam bem a vibe da banda, que fez um dos shows mais energéticos e memoráveis do Lollapalooza. Mesmo sob o sol escaldante, cerca de três mil pessoas se reuniram para dançar, pular e principalmente, trocar energia durante o show do Baiana.

Com um setlist consistente que abarcou grandes sucessos como “Lucro: Descomprimindo”, “Playsom”, “Terapia” e “Jah Jah Revolta”, o BaianaSystem fez o público pular que nem a “pipoca” do conhecido Carnaval de Salvador. A mistura de arrocha, hip-hop, samba, reggae, sound system da Jamaica e outras milhares de sonoridades constroem a essência da banda, que é – na falta de palavra que transmita tudo o que foi sentido durante esse show – foda. Russo Passapusso é um frontman que interage com o público fazendo com que o mesmo se sinta parte do Baiana, uma simbiose onde plateia e banda pulsam num ritmo louco e contagiante.

A apresentação da banda no Lollapalooza ainda trouxe a participação de BNegão, que comandou uma roda “punk” gigante durante “Playsom”. Um show visceral de uma banda que consegue retratar vários sons e identidades em uma experiência totalmente única.

Cage The Elephant

Muito se vê, se escreve ou fala sobre as apresentações ao vivo do Cage the Elephant. A banda é conhecidíssima por sua presença de palco e energia, além das loucuras que o vocalista Matt Shultz faz – completamente movido pela música e pelo momento. Ainda assim, nem todo o conhecimento e a ansiedade podem de te preparar para um show do Cage The Elephant, que se apresentou pela terceira vez no Lollapalooza (será que o Matt quebrou alguma coisa?).

Com um setlist bem equilibrado, a banda apresentou seis sucessos de seu mais recente disco Tell Me I’m Pretty, enquanto Melophobia emplacou seis músicas no show. Já Cage the Elephant teve duas representantes e Thank You, Happy Birthday, uma (a belíssima “Shake Me Down”).

Veteranos do festival, o Cage fez um show energético e pulsante, com um público igualmente animado que berrou todos os sucessos da banda em coro. A banda foi inteligente ao tocar músicas vibrantes intercaladas com baladas como “Too Late To Say Goodbye”, que soou quase como uma confissão de Matt, em um momento muito único e cheio de sinceridade.

O Cage The Elephant é uma banda de festivais e precisa ser vista ao vivo para ser compreendida plenamente. Até os roqueiros “mais velhos” que aguardavam ansiosamente o Metallica no Palco Skol se surpreenderam e bateram a cabeça com “Punchin’ Bag”, “Cold Cold Cold” e a clássica “Ain’t No Rest For The Wicked” e receberam de braços abertos o guitarrista Brad Shultz, que se jogou no meio da galera.

Ao final da apresentação, Matt fez sua clássica escalada na torre de iluminação do palco e foi ovacionado por um público em êxtase. Suor, choro, energia e música na sua forma mais pura caracterizaram a apresentação memorável do Cage The Elephant, que pode voltar sempre que quiser.

Tegan and Sara

Conseguimos ver parcialmente Tegan and Sara, que levantou o público com cover de “U-Turn” do falecido George Michael, hits como “Boyfriend” e “Closer” fizeram parte da trinca final matadora das irmãs.

Detalhe interessante de observar é como elas mudaram suas orientações musicais. Se pegarmos o catálogo da dupla, prévio ao disco Heartthrob (2013), notamos facilmente como a sonoridade era bem dependente de guitarra. Hoje a guitarra não é mais utilizada no show. A configuração da banda, ao vivo, inclui dois ou até três teclados / sintetizadores, bateria e, ocasionalmente baixo. Uma das instrumentistas de apoio hora está no sintetizador, hora está no baixo.

A roupagem mais pop e menos indie, é responsável pelo crescimento da base de fãs nos últimos dois discos. Fora isto, tanto Tegan quanto Sara, pegaram a bandeira do Brasil, distribuíram sorrisos e agradaram o bom público que compareceu ao palco Axe, em horário concorrido.

The xx

O palco Ônix é o dono da melhor acústica no Lollapalooza Brasil. Diante disso, a escolha foi certeira em colocar o The xx para tocar lá. A banda inglesa esconde muito do seu tesouro nas nuances, por isso shows a céu aberto podem significar alguma perda.

Não aconteceu.

Um dos melhores shows do festival aconteceu no começo de noite do sábado. O começo foi soberbo, como três músicas que este site queria muito ver ao vivo “Say Something Loving”,”Crystalised” e “Islands”. Tanto a vibe mais orgânica, quanto a mais eletrônica ornam perfeitamente no setlist do trio. E os momentos de maior empolgação como a novíssima “On Hold” e “Loud Places”, cover do discaço solo do Jamie xx, ornam com os momentos de maior reflexão. O final, “Angels”, foi cantado em coro entre os presentes. Um show de muitas emoções e extremamente sensorial. Capaz de introverter e extroverter. Depois desta apresentação veio a certeza que estão entre as bandas mais importantes, criativamente falando, da geração atual. E, discos menos compreendidos, como Coexist e I See You, foram entendidos como fundamentais na discografia. Não existe brecha ou passo mal dado.

Tove Lo

Com uma carreira curta, porém cheia de hits, Tove Lo se apresentou no sábado sem sapatos e pudor. A artista lançou recentemente o aclamado Lady Wood, uma ode ao feminino, e sua apresentação foi uma síntese de seus ideais de uma forma movimentada, divertida e sensual.

Tove Lo envolveu o público com sua voz e energia únicas. Totalmente confortável em sua própria pele, a artista soube utilizar o palco muito bem de uma maneira natural, algo que normalmente não é bem explorado por artistas solo.

Dosando muito bem seu setlist, Tove Lo focou sua apresentação em seu trabalho mais novo, sem deixar de lado grandes sucessos como “Habits (Stay High)”, música que a lançou internacionalmente.

Durante a performance de “Talking Body” a artista dançou e mostrou os seios em um ato sem censura, levando o público ao delírio.

Obviamente Tove Lo é linda e sabe disso, porém sua performance e o disco Lady Wood reforçam que sua beleza e sensualidade não estão ali para agradar ninguém além dela mesma. Uma verdadeira mensagem de empoderamento do corpo feminino. Com muita dança e um clima leve, o show de Tove Lo foi uma verdadeira celebração da alegria que é ser você mesmo.

The Chainsmokers

O duo de DJs bocudos sabem, de fato, como fazer uma festa. Em quase duas horas tocaram seus maiores hits, com direito a remix e mashups de outros artistas como: Alok, RHCP, Blink 182, Tove Lo, Panic! At the Disco, The Killers e o tema do Rei Leão, tudo isso cercado de canhões de fogo e chuva de papel picado, criando a atmosfera festeira de spring break que os americanos carregam. Não pode-se dizer que eles entregam menos do que prometem. Ainda que tenham pausas que poderiam ser encurtadas tanto em quantidade, quanto em duração. Afinal a EDM é muito sobre don’t stop the music.

*Colaboração de Flavio Testa em Tegan and Sara e The xx.

Créditos das fotos: Bruno Bujes, IHATEFLASH, MROSSI.

(Originalmente publicado em março de 2017. Acesso: https://www.505indie.com.br/acervo/lollapalooza-brasil-2017-baianasystem-cage-the-elephant-e-the-xx-sao-os-destaques-de-sabado/)

O Jornalismo Investigativo em “Todos os Homens do Presidente”

Reflexões sobre o papel do jornalismo investigativo no filme “Todos os Homens do Presidente”

Todos os Homens do Presidente é um filme de 1976 que conta como dois repórteres do The Washington Post investigaram e expuseram o escandaloso Caso Watergate. O filme é um ícone do jornalismo investigativo e mostra o tamanho da importância social do trabalho do jornalista.

Em 1972, o Edifício Watergate (sede do Comitê Democrata Nacional) foi invadido por cinco homens que desejavam implantar equipamentos de espionagem no local. Bob Woodward foi escalado para cobrir a matéria e percebeu que havia algo estranho no que parecia ser um simples caso de arrombamento. Juntamente com o repórter Carl Bernstein, Bob começa a investigar o caso, e através do trabalho dos dois jornalistas veio à tona que o presidente Richard Nixon estava envolvido no escândalo, fato que causou o afastamento de Nixon do cargo.

É interessante observar o processo de produção dessa matéria, e como ela se diferencia do jornalismo convencional. Bob Woodward e Carl Bernstein se inseriram na história e em seu desdobramento, trabalhando exclusivamente no Caso Watergate. Essa é uma grande característica do jornalismo investigativo, pois o repórter deve se dedicar completamente em sua história, mergulhando na pesquisa.

Outro ponto decisivo para o sucesso da investigação de Woodward e Bernstein foi o relacionamento com as fontes. Conversando com centenas de pessoas e checando fatos, os jornalistas foram capazes de cruzar informações cruciais para a história. As fontes não foram identificadas pois a investigação envolvia a Casa Branca e pessoas muito poderosas ligadas ao presidente vigente (daí o nome do filme), o que poderia colocar suas integridades em risco.

Um momento crucial do filme é quando os jornalistas publicam a matéria de forma um pouco precipitada, o que acaba prejudicando a imagem do jornal e colocando suas reputações em risco. Em investigações jornalísticas, é imprescindível que os repórteres possam apoiar sua matéria, e isso deve ser feito através de pesquisas documentais ou declarações de fontes.

Em matérias feitas através do jornalismo investigativo, é essencial que a história tenha um fim, que desencadeará as repercussões. Na matéria feita por Bob e Carl, concluiu-se, através do depoimento essencial da fonte “Garganta Profunda” que o Presidente Nixon tinha conhecimento da invasão ao Edifício Watergate, e que seu assessor pessoal movimentou dinheiro para esse episódio.

Todos os Homens do Presidente, originalmente um livro escrito pelos jornalistas responsáveis pela matéria sobre o Caso Watergate, ilustra de forma clara o papel social do repórter. A adaptação da história para o cinema foi estrelada por Dustin Hoffman e Robert Redford, recebendo oito indicações ao Oscar e levando quatro estatuetas: Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Direção de Arte, Melhor Som e Melhor Roteiro Adaptado.

O Caso Watergate ilustra um dos momentos mais delicados da política nos Estados Unidos, e nós só temos conhecimento disso por causa do trabalho de dois jornalistas e de seu comprometimento com a história.

(Originalmente publicado em fevereiro de 2018. Acesso: https://focaalternativa.com/2018/02/25/o-jornalismo-investigativo-em-todos-os-homens-do-presidente/)

Conheça IAMDDB, a sereia de Manchester

Conheça um pouco mais sobre a rapper inglesa IAMDDB

Esbarrei em IAMDDB por acaso. Sabe aquelas propagandas bem irritantes do YouTube, que geralmente são do 99 POP e ninguém aguenta mais? Então, numa dessas, vi um trecho da música da artista e me interessei. IAMDDB significa I Am Diana De Brito (Eu Sou Diana de Brito) e reafirma a presença da cantora, rapper e produtora(!) em seu material.

“Leaned Out” foi um dos primeiros singles da artista e cunhou o termo “#MERMAIDSEASON“, que começou como uma brincadeira e hoje é um verdadeiro mantra da artista. A sereia realmente nos deixa em sua “onda”. Com músicas que exploram o jazz urbano de Manchester, IAMDDB também traz em suas batidas e versos suas origens angolana e portuguesa. Nesse mix interessante e improvável, nos deparamos com uma sonoridade original e vocais poderosos, algo cada vez mais raro na música. IAMDDB é, com certeza, um nome para acompanhar em 2018.

Tendo lançado três EPs nos últimos dois anos, o ápice de seu talento fica mais evidente em seu último trabalho Hoodrich – Vol. 3, onde a artista consegue explorar com naturalidade seus dois lados: rimas fortes e bem articuladas; e a finesse de sua melodia, embalada delicadamente por sua voz. Como a mesma diz, it’s MERMAID SEASON.

Descubra:

(Originalmente publicado em janeiro de 2018. Acesso: https://focaalternativa.com/2018/01/17/conheca-iamddb-a-sereia-de-manchester/)